Cabo Verde cativa por essa mistura rara: resorts com tudo incluído no Sal e na Boa Vista, morna em Mindelo e montanhas de postal em Santo Antão. E quando o voo já está marcado, surge a pergunta prática: como ter internet em Cabo Verde sem levar um susto na conta. Já te adianto o erro mais comum, porque vejo isso toda semana: o arquipélago fica a cerca de 1.500 km das Canárias, mas não faz parte da União Europeia, então seus gigas de casa não viajam com você. Neste guia, comparo as quatro opções reais para o viajante brasileiro, com preços em escudos, cobertura ilha por ilha e os procedimentos que convém ter resolvidos antes de decolar.
Internet em Cabo Verde: a resposta rápida
Para um turista brasileiro, o eSIM é a melhor forma de ter internet em Cabo Verde: instala-se antes de voar, ativa-se na rede da Alou ou Unitel T+ assim que aterrissa e evita a fila do aeroporto. O SIM local funciona igual; o Wi-Fi do hotel, apenas como apoio.
Essa é a versão curta, mas convém entender a nuance cabo-verdiana. A maioria dos brasileiros chega com um pacote de férias para o Sal ou para a Boa Vista e se hospeda em um resort de praia, onde o Wi-Fi existe, mas funciona mal justamente onde você mais precisa: no quarto. E assim que você sai do resort — para Santa Maria, Sal Rei ou uma excursão de quadriciclo — você depende dos seus próprios dados.
Adicione o detalhe que confunde a todos: Cabo Verde é um país independente da África Ocidental, não um território europeu, então a tarifa de "roaming como em casa" não se aplica aqui de forma alguma. Por isso, recomendo chegar com seus próprios dados já funcionando. Nas seções seguintes, detalho cada opção com preços reais em escudos, cobertura ilha por ilha e as letras miúdas que ninguém conta na agência.
Todas as opções de uma vez
Antes de entrar em detalhes, aqui está o mapa completo. Existem quatro maneiras realistas de se conectar nas ilhas e nem todas pesam o mesmo em uma viagem de praia. Peço que você olhe menos para a coluna do preço e mais para a do "mas": é aí que esta comparação se decide, porque em um arquipélago onde você se move entre ilhas, a conveniência vale tanto quanto o euro economizado.
| Opção | Preço aproximado | Procedimento | Seu grande "mas" |
|---|---|---|---|
| Roaming da operadora | 7-15 €/dia ou pagamento por MB | Nenhum | Fora da UE: caríssimo e com pouca informação clara |
| Wi-Fi do hotel ou resort | Normalmente incluído | Nenhum | Fraco no quarto e inexistente fora do resort |
| SIM local (Alou, Unitel T+) | A partir de ~500 CVE (~4,5 €) o pacote | Médio: passaporte e registro | Trocar o chip e perder seu número |
| eSIM de viagem | A partir de ~10 € por alguns GB | Nenhum: QR e pronto | Requer celular compatível |
Como você pode ver, há uma opção "de não fazer nada" que sai muito cara, um Wi-Fi de hotel que vai e volta, e duas candidatas sérias que usam a mesma rede local: o chip físico e o digital. O roteador portátil, tão popular em outros destinos, aqui tem pouca utilidade porque o resort já oferece Wi-Fi; se ainda assim você considerar para um grupo, veja a comparação de eSIM vs. pocket Wi-Fi. A partida é jogada entre as outras duas.
Atenção: Cabo Verde não é a União Europeia
Este é o ponto chave e o que mais custa ignorar. Muitas pessoas presumem que, por estar a um pulo das Canárias e falar português, Cabo Verde entra na tarifa europeia. Não é assim: é um país soberano da África Ocidental, em frente à costa do Senegal, e fica fora do regulamento europeu que permite usar seus gigas sem custo extra nos 27 países mais Islândia, Noruega e Liechtenstein.
O que isso implica? Que assim que seu celular se conecta a uma antena cabo-verdiana, você entra em tarifa internacional. No pagamento por uso, há operadoras brasileiras que publicam preços superiores a 12 € por megabyte em sua zona de "resto do mundo": uma tarde olhando mapas e subindo fotos pode resultar em uma conta de três dígitos.
Para disfarçar, as operadoras vendem pacotes diários. Fora da Europa, eles variam entre 7 e 15 € por dia, e convém verificar o que incluem: alguns dão um ou dois gigas e outros ficam em 100 MB diários, uma miséria para uma semana de praia. Sete dias a 12 € são 84 € apenas em dados. Antes de voar, verifique sua área no aplicativo da operadora; as guias quanto custa o roaming internacional e a comparação de eSIM vs. roaming podem ajudar.
O Wi-Fi do hotel e do tudo incluído
Como quase todo o turismo brasileiro em Sal e Boa Vista é de pacote, a tentação é clara: "já terei Wi-Fi no resort e economizo os dados". Em parte é verdade: a maioria dos hotéis, restaurantes e cafés das áreas turísticas oferece Wi-Fi gratuito, e os grandes complexos de Santa Maria e Praia de Chaves investiram em sua rede. A nuance está em onde funciona bem e onde não funciona.
É comum que funcione bem nas áreas comuns — recepção, bufê, bares, piscina —, onde estão os pontos de acesso, e que falhe nos quartos mais distantes ou nos bangalôs do fundo. Some a isso que a largura de banda chega às ilhas por cabo submarino e é dividida entre centenas de hóspedes: na hora do pico da noite, a velocidade despenca. Em muitos resorts, os dados móveis são mais rápidos que o Wi-Fi.
Regra prática: o Wi-Fi do resort serve para verificar e-mails da espreguiçadeira e fazer upload de fotos com calma à noite, mas não conte com ele para uma videochamada do quarto ou para se guiar em Santa Maria. Nesses casos, uma conexão própria te salva.
Minha conclusão: use-o como apoio para baixar mapas, sincronizar fotos e assistir a uma série, nunca como espinha dorsal da viagem.
SIM local: Alou e Unitel T+ com o passaporte
Comprar um chip local é viável. Em Cabo Verde existem duas operadoras: Alou — a marca com a qual a Cabo Verde Telecom unificou em 2023 o que antes era conhecido como CVMóvel — e Unitel T+. Elas têm lojas nos aeroportos do Sal (Amílcar Cabral) e Praia (Nelson Mandela), e estabelecimentos em Santa Maria, Sal Rei, Plateau e Mindelo. Você precisa do passaporte para registrar a linha e o processo leva cerca de 10-15 minutos se não houver fila.
Os preços são em escudos cabo-verdianos (CVE), uma moeda prática para nós porque está ligada ao euro com uma taxa fixa de 110,265 CVE por euro desde 1999. Ou seja: divida por 110 e terá o valor em euros. Estas são as referências públicas dos pacotes de dados para celular da Unitel T+:
| Pacote de dados | Preço | Equivalente | Validade |
|---|---|---|---|
| Diário (30 MB) | 70 CVE | ~0,65 € | 24 horas |
| Semanal (250 MB) | 250 CVE | ~2,3 € | 7 dias |
| Mensal (1 GB) | 500 CVE | ~4,5 € | 30 dias |
| Mensal (2 GB) | 800 CVE | ~7,3 € | 30 dias |
| Mensal (5 GB) | 1.250 CVE | ~11,3 € | 30 dias |
Barato, sim, mas observe os volumes: os pacotes pequenos dão poucos megabytes, então você acaba comprando o de 5 GB. E ainda tem a logística: tirar seu chip brasileiro, colocar o novo e ficar sem seu número (adeus aos SMS do banco, a menos que tenha Dual SIM). Eu comparo isso em eSIM vs. SIM local.
O chip digital: a opção que recomendo
É aqui que o eSIM se destaca em Cabo Verde, e não por marketing. É um chip digital que já vive dentro do celular: você compra o plano de casa, recebe um código QR, escaneia e pronto. Nada de filas, nada de manipular chips minúsculos na esteira de bagagem, nada de procurar uma loja aberta quando você aterrissa no Sal às onze da noite.
Os planos de viagem para Cabo Verde utilizam as redes locais, então sua cobertura é a mesma que teria um cabo-verdiano com um chip da loja da esquina: 4G em Santa Maria, Sal Rei, Praia e Mindelo. A diferença não está no sinal, mas em como você chega até ele. Em termos de preço, os planos começam a partir de uns 10 € por alguns GB e aumentam de acordo com os dias e gigabytes; um pouco acima do pacote local simples, mas sem a troca de chips e o registro.
Outra vantagem que em um destino de pacote é apreciada: com Dual SIM, você mantém seu número brasileiro ativo para o SMS do banco ou a ligação do guia, enquanto os dados trafegam pelo chip digital. Se é sua primeira vez, leia o que é um eSIM e depois o guia do eSIM para Cabo Verde, com a instalação passo a passo.
SIM local frente a eSIM, cara a cara
Esta é a comparação que realmente decide a viagem, porque a tarifa internacional se descarta sozinha pelo preço e o Wi-Fi do hotel não serve para tudo. A tabela compara as duas opções que disputam a partida e você verá que a briga não se resolve no euro, mas na conveniência: quanto tempo você pega fila, se troca o chip e se mantém seu número enquanto pula de ilha em ilha.
| Critério | SIM local (Alou / Unitel T+) | eSIM de viagem |
|---|---|---|
| Preço | A partir de ~500 CVE (~4,5 €) por 1 GB | A partir de ~10 € por alguns GB |
| Documentos | Passaporte, para registrar a linha | Nenhum |
| Onde comprar | Loja do aeroporto ou da cidade, pessoalmente | Online, de casa, antes de voar |
| Tempo para ter dados | 10-15 min mais a fila após o voo | Minutos: escaneie o QR e pronto |
| Rede que usa | Alou ou Unitel T+ | A mesma: Alou ou Unitel T+ |
| Seu número brasileiro | Você o perde se seu celular tiver apenas um slot | Permanece ativo com Dual SIM |
Minha leitura, sem rodeios: o chip local é mais barato no papel, mas para uma ou duas semanas a diferença é de poucos euros e o digital te poupa todo o trâmite. O físico me compensa em dois casos: um celular antigo que não aceita perfis digitais, ou uma estadia de um mês ou mais recarregando pacotes locais conforme a necessidade.
Cobertura em Sal, Boa Vista, Praia e Mindelo
Boas notícias para o viajante de praia: onde você estará, o sinal é mais do que suficiente. Cabo Verde tem cobertura 3G e 4G em todo o arquipélago e as áreas turísticas são bem atendidas pelos dois operadores. Isso você pode esperar nos principais destinos:
- Sal (Santa Maria e Espargos): 4G sólido na cidade, na faixa de hotéis e na praia. Velocidades urbanas típicas de 15-40 Mbps, suficiente para mapas, redes sociais e videochamadas.
- Boa Vista (Sal Rei e Praia de Chaves): 4G confiável no centro urbano e na costa dos resorts. Nas dunas de Viana e nas trilhas do interior, o sinal fica irregular.
- Santiago (Praia): o melhor do país. 4G generalizado e 5G em áreas específicas da capital. Em Cidade Velha e Tarrafal, sem problemas.
- São Vicente (Mindelo): 4G eficiente em toda a cidade, com boa velocidade na área do porto e dos bares de música.
A regra é simples: quanto mais perto de um centro urbano ou da costa turística, melhor o sinal; quanto mais você se aventura em estradas de terra, mais fraco. Para a viagem típica entre Sal e Boa Vista, com algumas escapadelas para Praia ou Mindelo, a rede local serve para tudo.
Santo Antão e o interior: onde o sinal falha
E agora o aviso que quase ninguém te dá. Se seu plano inclui Santo Antão — a ilha das trilhas, das levadas e dos vales de Paul e Ribeira Grande —, prepare-se para trechos sem cobertura. Em centros como Porto Novo, Vila das Pombas ou Ponta do Sol, o sinal é correto, mas assim que você desce por um vale encaixado as montanhas bloqueiam a conexão. Aí não há operadora que valha.
O mesmo acontece no interior montanhoso de Santiago, na subida ao vulcão do Fogo e nas estradas de São Nicolau: o normal é cair para 3G ou ficar sem sinal por quilômetros. Não é uma falha do seu chip: as antenas estão nas vilas e os picos de mais de mil metros bloqueiam o resto.
Como eu gerencio isso? Com três hábitos. Baixar o mapa da ilha offline antes de sair da hospedagem. Salvar a trilha da rota e o telefone do hotel no celular, não na nuvem. E avisar por WhatsApp por onde você vai antes de entrar em um vale, porque pode passar duas ou três horas incomunicável. Com isso, a falta de sinal deixa de ser um problema.
Voos entre ilhas, ferries e o trâmite EASE
Mover-se por Cabo Verde significa avião ou barco, e em ambos os casos o celular se torna seu melhor aliado. Os voos interilhas conectam Sal, Boa Vista, Praia e São Vicente em trechos de 20 a 45 minutos, embora o mercado tenha mudado de companhia aérea várias vezes: confirme qual empresa opera sua rota ao reservar e fique atento às mudanças de horário, que são avisadas por e-mail ou mensagem.
De barco, a travessia principal é de Mindelo a Porto Novo, a porta de entrada para Santo Antão: cerca de 50-60 minutos e em torno de 1.500 CVE (~14 €) para não residentes. No meio do canal, o sinal vai e vem, então compre a passagem e baixe o que quiser ler antes de embarcar.
E um procedimento que, sim ou sim, precisa de conexão: antes de voar, você deve fazer o pré-registro EASE na plataforma oficial do Governo e pagar a taxa de segurança aeroportuária (TSA), de cerca de 3.400 CVE (~31 €). Recomenda-se fazê-lo até cinco dias antes do voo. Brasileiros não precisam de visto para estadias de até 30 dias, mas sim passaporte com pelo menos seis meses de validade. Levar o comprovante no celular e poder abri-lo no balcão evita aborrecimentos.
Quantos dados você precisa em Cabo Verde
A pergunta de um milhão antes de comprar qualquer coisa. A resposta curta: menos do que você teme, mas convém calcular por dias e por uso real. Em uma viagem de praia, você usará principalmente mensagens, redes sociais para exibir Santa Maria, mapas para se locomover e algumas videochamadas; vídeos pesados quase sempre podem esperar pelo Wi-Fi do hotel. Esta tabela oferece uma referência por atividade e dia.
| Atividade diária | Consumo aproximado |
|---|---|
| WhatsApp e mensagens | ~20-50 MB/dia |
| Redes sociais (scroll e stories) | ~150-300 MB/dia |
| Mapas e navegação pela ilha | ~50-100 MB/dia |
| Subir fotos e alguns vídeos | ~200-400 MB/dia |
| Videochamada (30 min) | ~300-500 MB |
Somando um uso de turista normal, resultam uns 400-800 MB por dia. Com essa referência, para uma semana no Sal ou Boa Vista, 3-5 GB são suficientes; para dez ou doze dias pulando entre ilhas, um plano de 10 GB é mais do que suficiente; e se você faz lives, envia vídeos diariamente ou trabalha remotamente de Mindelo, opte por 20 GB ou mais. Deixe os backups de fotos e o streaming para o Wi-Fi do hotel e você estenderá cada giga sem pensar nisso.
Perguntas frequentes
Tenho roaming da União Europeia em Cabo Verde?
Não. Cabo Verde é um país independente da África Ocidental e não pertence à UE nem ao Espaço Econômico Europeu, portanto a tarifa de "roaming como em casa" não se aplica. O fato de estar perto das Canárias não muda nada: você entra em tarifa internacional.
Posso comprar um chip local no aeroporto de Sal?
Sim. No Aeroporto Amílcar Cabral, há pontos da Alou e da Unitel T+, embora o horário seja irregular e possam estar fechados dependendo do seu voo. Alternativa segura: as lojas de Santa Maria, a 15-20 minutos de táxi. Eles pedem o passaporte para registrar a linha.
O Wi-Fi do sistema all-inclusive é suficiente?
Como suporte sim, como plano principal não. Geralmente funciona bem na recepção, no bufê e na piscina, mas é fraco nos quartos mais afastados e fica saturado à noite, sendo compartilhado por todos. Fora do recinto, não existe.
Há boa cobertura em Boa Vista e Santo Antão?
Em Boa Vista sim: 4G confiável em Sal Rei e na costa dos resorts, irregular nas dunas e estradas do interior. Em Santo Antão funciona bem em Porto Novo, Vila das Pombas e Ponta do Sol, mas desaparece nos vales e trilhas de montanha.
Quantos GB preciso para uma semana em Cabo Verde?
Para um uso normal —mensagens, redes sociais, mapas, fotos e algumas videochamadas— com 3-5 GB você se vira bem por sete dias. Se for fazer transmissões ao vivo ou trabalhar, escolha 10 ou 20 GB e deixe o streaming e os backups de fotos para o Wi-Fi do hotel.
Preciso de internet para o processo EASE e a taxa TSA?
Sim, é um registro online antes da viagem que inclui o pagamento da taxa aeroportuária, cerca de 3.400 CVE (~31 €). Faça-o em casa e salve o comprovante no celular, para mostrá-lo mesmo que não tenha conexão ao chegar.
O cartão digital funciona assim que aterrar em Sal?
Sim. Você instala o plano de casa com o QR e o ativa ao pousar, assim você sai do aeroporto com dados e localiza seu transporte ou o hotel. Essa é a vantagem em relação ao cartão físico: sem filas nem registro, e você mantém seu número com Dual SIM.
Conclusão
Ter internet em Cabo Verde é fácil se você internalizar uma ideia: aqui você não está na Europa, mesmo que o voo seja curto e a moeda esteja atrelada ao euro. A tarifa internacional da sua operadora pode custar mais do que as excursões; o Wi-Fi do resort serve para a rede, não para se locomover em Santa Maria nem para o vale de Paul; e o chip local é barato, mas o obriga a fazer fila com o passaporte e a renunciar ao seu número. Por isso, para a viagem típica a Sal ou Boa Vista, a eSIM é a resposta perfeita: mesma rede local, zero burocracia e dados desde o primeiro minuto. Deixe-a instalada antes de decolar e você aterrissará conectado. Quando tiver decidido, dê uma olhada na eSIM para Cabo Verde.







