Guia de viagem

Estatísticas de roaming de espanhóis no exterior (2026)

Marc González Sáez Marc González Sáez ·4 de julho de 2026 ·8 min. de leitura
Estatísticas de roaming de espanhóis no exterior (2026)

Em resumo: Desde 15 de junho de 2017, a UE aplica o "Roam Like at Home": usar o celular em outro país da UE custa o mesmo que na Espanha. Segundo a CNMC, o preço do GB em roaming caiu 98,1% em quatro anos, mas fora da UE/EEE —incluindo EUA, México, Reino Unido, Turquia ou Marrocos— o roaming continua caro.

O que é o "Roam Like at Home" e por que ele mudou as regras do jogo

Se você tem mais de trinta anos, certamente se lembra da época em que ativar o celular ao cruzar uma fronteira europeia dava vertigem. Chegava em Roma, Paris ou Amsterdã e a primeira coisa que fazia era desativar os dados móveis por medo da conta. Isso mudou oficialmente em 15 de junho de 2017, quando entrou em vigor na União Europeia o regime conhecido como "Roam Like at Home" (RLAH): desde então, usar o celular —ligar, enviar SMS ou navegar— em qualquer outro país da UE custa o mesmo que na sua tarifa nacional, sem cobranças adicionais por parte da operadora.

Não foi uma mudança cosmética. Foi uma intervenção regulatória direta em um mercado onde, até então, as operadoras podiam cobrar praticamente o que quisessem para cruzar uma fronteira dentro do próprio continente. O RLAH obrigou as empresas a repensar completamente seu modelo de preços para o roaming intracomunitário, e os dados posteriores confirmam que o impacto foi real e mensurável, não apenas uma promessa política.

O que os números da CNMC dizem: uma queda de preços sem precedentes

A Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência (CNMC), o regulador espanhol de telecomunicações, documentou o efeito dessa regulamentação com números muito concretos. Segundo seus dados, o custo dos dados em roaming caiu 98,1% em quatro anos: o gigabyte oferecido pelas operadoras espanholas a seus clientes custava cerca de 200 € em 2014, um preço que hoje parece quase de outra época. As chamadas seguiram o mesmo caminho, embora com uma queda um pouco menor: 95,4%, passando de 85 cêntimos por minuto para apenas 3,9 cêntimos em 2018.

Dito de outra forma: o que em 2014 custava um gigabyte de dados navegando pela Europa, hoje permitiria consumir dados por anos inteiros a preço de tarifa nacional. É um dos exemplos mais claros de como uma regulamentação bem elaborada pode desmantelar em poucos anos um custo extra que estava instalado no mercado há décadas.

Indicador Antes do RLAH Mudança Fonte
Preço do GB em roaming (operadoras espanholas) ~200 € (2014) -98,1% em 4 anos CNMC
Preço por minuto de chamada em roaming UE 85 cêntimos/min 3,9 cêntimos/min em 2018 (-95,4%) CNMC
Gasto médio anual em roaming (cliente espanhol) ~193 €/ano (em comparação com 170 € em dados nacionais) CNMC
Preços de varejo de roaming no EEE Finais de 2024 Continuaram a baixar em 2025 em todos os serviços BEREC
Evolução dos preços de roaming na UE após a entrada em vigor do RLAH. Fontes citadas em cada linha: CNMC e BEREC.

Um dado que costuma surpreender: embora o roaming dentro da UE não tenha mais custo adicional, a CNMC estima que um cliente espanhol gaste em média cerca de 193 € por ano em roaming, em comparação com os 170 € que gasta em dados dentro da Espanha. A explicação não é que o roaming intracomunitário seja caro —não é, está incluído na tarifa nacional—, mas sim que esse gasto médio também agrega o consumo que ocorre fora do Espaço Econômico Europeu, onde as tarifas nacionais não se aplicam e a operadora pode cobrar taxas adicionais.

BEREC confirma que a tendência continua em baixa

O órgão europeu que supervisiona os reguladores nacionais de telecomunicações, BEREC, tem monitorado a evolução dos preços após a entrada em vigor do RLAH. Segundo seus dados, entre o final de 2024 e 2025, os preços de varejo do roaming continuaram a cair em todos os serviços dentro do Espaço Econômico Europeu (os 27 países da UE mais Noruega, Islândia e Liechtenstein). Não é uma fotografia estática de 2017: é uma tendência que se manteve quase uma década depois, sinal de que a regulamentação não só funcionou no início, mas continua a impulsionar o mercado na direção certa.

Isso tem uma leitura prática simples para qualquer espanhol que viaje dentro da UE: hoje, ativar os dados móveis em Lisboa, Roma ou Berlim não deveria gerar nenhum custo adicional na sua fatura habitual. Se a sua operadora cobrar algo diferente da sua tarifa nacional dentro do EEE, vale a pena revisar as condições do seu contrato, porque não é o que a legislação vigente determina.

O limite que quase ninguém tem claro: onde o RLAH não se aplica

Aqui está a nuance que gera mais confusão entre os viajantes espanhóis, e provavelmente o motivo pelo qual você continua lendo este guia: o RLAH abrange a União Europeia e o Espaço Econômico Europeu, mas não destinos como Suíça, Reino Unido, Turquia ou qualquer país fora da Europa. É um erro muito comum pensar que, como "na Europa não há mais roaming", o celular funciona tão barato em qualquer destino internacional. Não é assim.

A Suíça não é membro da UE nem do EEE, então está fora do regime, mesmo estando no coração geográfico da Europa. O Reino Unido, após o Brexit, deixou de ser coberto pelo RLAH e cada operadora aplica suas próprias condições. A Turquia nunca foi incluída. E, evidentemente, qualquer destino fora do continente —Estados Unidos, México, os países da América Latina, o sudeste asiático, o Oriente Médio— funciona sob as regras comerciais de cada operadora, que geralmente se traduzem em tarifas por megabyte ou pacotes de dados com preços muito superiores aos que você paga em casa.

Se você for viajar para algum país onde o RLAH não se aplica, convém se informar antes de sair de casa sobre como funciona o roaming lá e quais condições sua operadora de origem aplica a você nesse destino específico, seja uma das grandes operadoras locais ou a sua operadora espanhola habitual, porque as tarifas variam muito de um país para outro.

O que isso significa para você se for viajar

Com esses dados sobre a mesa, a conclusão prática é bastante clara e pode ser resumida em duas regras simples:

  • Se você viajar dentro da UE/EEE: não precisa fazer nada especial. O RLAH já o protege por lei e sua operadora espanhola não pode cobrar a mais por usar dados, ligar ou mandar SMS dentro dessa área. Nem mesmo é preciso contratar nada adicional.
  • Se você viajar para fora da UE/EEE: aqui sim você entra em um terreno onde a operadora pode aplicar tarifas de roaming próprias, normalmente caras. É nesses destinos —Reino Unido, Suíça, Turquia, América, Ásia, Oriente Médio, o norte da África— onde faz sentido buscar uma alternativa antes de sair, porque o "roaming como em casa" simplesmente não existe fora dessas fronteiras.

Para essas viagens fora do EEE, um eSIM de viagem é uma forma de ter dados ao chegar ao destino sem depender do roaming da operadora nem ter que procurar onde comprar um SIM físico local. Se você não sabe bem o que é ou como funciona, explicamos do zero em o que é um eSIM. Se o que você quer é entender a diferença prática entre continuar usando o roaming da sua operadora ou mudar para um eSIM local para sua próxima viagem, temos uma comparação detalhada em eSIM vs. roaming.

E se você nunca instalou um, o processo é mais simples do que parece: você pode ver o passo a passo em como instalar um eSIM, e em geral convém entender primeiro o que é a itinerância de dados para saber exatamente o que você está substituindo. Na PuraSIM trabalhamos com mais de 200 destinos e oferecemos suporte 24/7 por e-mail e WhatsApp caso surja alguma dúvida antes ou durante a viagem. Se o seu próximo destino for dentro da Europa —onde, lembre-se, o RLAH já o cobre por padrão—, verifique igualmente as condições da sua operadora com nosso eSIM Europa como alternativa se preferir separar o consumo de dados da sua linha habitual. Para destinos fora do EEE, como os Estados Unidos, contamos com planos específicos como o eSIM Estados Unidos, e se você precisar de dados assim que aterrissar na Espanha para um familiar ou visita, também temos eSIM Espanha.

Por que esta regulamentação importa mais do que a anedota

Para além da economia direta, o caso do RLAH é interessante porque demonstra algo que nem sempre acontece na regulação de mercados: uma mudança normativa bem desenhada, com prazos claros e obrigações concretas para os operadores, pode transformar um mercado em poucos anos. A queda de 98,1% no preço dos dados e de 95,4% no preço das chamadas não se deve ao barateamento repentino da tecnologia nesse período —as redes móveis não mudaram tão radicalmente entre 2014 e 2018—, mas sim ao fato de que deixou de ser legal cobrar sobrepreços artificiais dentro da UE.

O fato de o BEREC continuar registrando quedas de preços em 2024-2025, quase dez anos após a entrada em vigor do RLAH, também diz algo: a concorrência entre operadoras dentro do quadro regulado continua funcionando, e não houve um "retrocesso" disfarçado via comissões ou letras miúdas, algo que ocorreu em outros mercados regulados com o tempo.

O contraste com os destinos fora do EEE é precisamente o que torna mais visível o valor desta regulamentação: não é a tecnologia que encarece o roaming nos Estados Unidos, México ou Marrocos, é a ausência de uma norma equivalente. E enquanto isso não mudar, a única forma de evitar esse custo extra continua sendo buscar uma alternativa ao roaming tradicional da sua operadora para essas viagens específicas.

Perguntas frequentes sobre o roaming dos espanhóis na Europa

Desde quando existe o roaming gratuito na União Europeia?

Desde 15 de junho de 2017, data em que entrou em vigor o "Roam Like at Home" (RLAH). Desde então, usar o celular em outro país da UE custa o mesmo que na tarifa nacional contratada na Espanha.

Quanto o preço do roaming na UE baixou desde então?

Segundo a CNMC, o preço dos dados em roaming caiu 98,1% em quatro anos (de cerca de 200 € por gigabyte em 2014 para preços marginais hoje) e o das chamadas 95,4% (de 85 cêntimos por minuto para 3,9 cêntimos em 2018).

Quanto um espanhol gasta em média em roaming por ano?

A CNMC estima um gasto médio de cerca de 193 € anuais em roaming por cliente, em comparação com 170 € em dados consumidos dentro da Espanha. Este valor agrega tanto o consumo na UE/EEE quanto fora dela.

O RLAH cobre todos os países da Europa?

Não. Ele cobre os 27 países da União Europeia mais a Noruega, Islândia e Liechtenstein (o Espaço Econômico Europeu). Países geograficamente europeus como Suíça, Reino Unido ou Turquia ficam de fora, onde o roaming é regido pelas condições comerciais de cada operadora.

Os preços do roaming na Europa ainda estão caindo em 2025?

Sim. Segundo o BEREC, entre o final de 2024 e 2025, os preços de varejo do roaming continuaram a cair em todos os serviços dentro do Espaço Econômico Europeu, confirmando que a tendência iniciada com o RLAH se mantém quase uma década depois.

Se eu viajar para o Reino Unido, Suíça ou Turquia, o mesmo roaming da UE se aplica a mim?

Não. Por não fazerem parte da UE nem do EEE, esses destinos ficam fora do RLAH e cada operadora espanhola aplica suas próprias tarifas de roaming, que costumam ser mais caras que o consumo dentro do seu plano nacional.

Que alternativa tenho para não pagar roaming caro fora da UE?

Para destinos fora do Espaço Econômico Europeu, um eSIM de viagem permite ter dados locais ou regionais sem depender das tarifas de roaming da sua operadora espanhola. Você pode verificar como funciona em detalhes em nosso guia comparativo de eSIM versus roaming tradicional.

Conclusão

O "Roam Like at Home" realmente mudou as regras do jogo dentro da União Europeia: os dados da CNMC confirmam isso com quedas de preço de mais de 95% em apenas quatro anos, e o BEREC constata que a tendência continua viva em 2024-2025. Mas essa proteção tem uma fronteira clara: fora da UE e do EEE —seja Reino Unido, Suíça, Turquia ou qualquer destino fora da Europa— o roaming continua funcionando sob as regras comerciais de cada operadora, e é aí que vale a pena planejar antes de viajar. Se o seu próximo destino estiver fora dessa zona protegida, dê uma olhada em nossos planos de eSIM de viagem em purasim.com.

Marc González Sáez
Escrito por Marc González Sáez Fundador da PuraSim e especialista em eSIM e conectividade para viajantes. Há anos ajuda a viajar conectado por todo o mundo sem pagar a mais pelo roaming, e testa pessoalmente os eSIMs em cada destino antes de os recomendar.
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