Guia de viagem

Internet no Reino Unido: como se conectar depois do Brexit

Marc González Sáez Marc González Sáez ·12 de julho de 2026 ·11 min. de leitura
Internet en Reino Unido | eSIM de viaje | PuraSIM

Se você está preparando uma viagem a Londres, Edimburgo ou às Terras Altas, há uma pergunta que deve ser resolvida antes de fechar a mala: como você terá internet no Reino Unido sem ter um susto na conta. E eu digo isso por experiência própria e pela de muitos clientes: o que valia em 2019 já não vale. O Brexit mudou as regras e muitas pessoas continuam atravessando o canal com a ideia errada na cabeça. Neste guia, comparo todas as opções reais — com suas letras miúdas, seus preços e seus contras — para que você escolha a que realmente se encaixa na sua viagem.

O Brexit mudou as regras: o Reino Unido já não é "como em casa"

Não, no Reino Unido não há roaming gratuito garantido. Desde 1º de janeiro de 2021, o país ficou fora do regulamento europeu de roaming, então nenhuma operadora espanhola é obrigada a oferecer dados "como em casa". Algumas mantêm por decisão comercial, outras cobram à parte e outras tratam diretamente como o resto do mundo.

Este é o ponto que mais gera confusão e o que mais causa contas caras. O regulamento europeu de Roam Like At Home — aquele que permite usar seus gigas em Lisboa ou Roma sem pagar um euro extra — se aplica à UE e ao Espaço Econômico Europeu. O Reino Unido deixou de fazer parte desse clube, e embora Bruxelas tenha prorrogado o roaming gratuito intracomunitário até 2032, essa prorrogação não alcança Londres nem Edimburgo.

O que resta é um terreno sem regras comuns: cada empresa espanhola decide livremente se inclui o Reino Unido na zona europeia, se o inclui em uma zona com sobretaxa ou se o tarifa como se você estivesse no Japão. E essas decisões mudam com o tempo: há operadoras que o mantiveram gratuito por anos e depois o retiraram, e outras que o cobrem apenas com promoções temporárias que expiram.

A consequência prática é dupla. Você não pode confiar no que um amigo te contou há dois verões, e precisa verificar seu contrato específico, porque dentro de uma mesma operadora há tarifas que incluem o Reino Unido e outras que não. O detalhe completo eu desviei neste guia sobre se há roaming no Reino Unido.

O que cada operadora espanhola faz em 2026

Aqui é preciso arregaçar as mangas. Resumi a situação das principais empresas espanholas, mas com uma enorme advertência: estas condições mudam a cada poucos meses e dependem da sua tarifa específica. A tabela serve para você saber o que perguntar, não para substituir a consulta à sua operadora.

Operadora espanhola Como trata o Reino Unido O que significa para você
Movistar Zona 1 na maioria das tarifas, com limite de uso justo Você usa seus gigas, mas ao exceder o custo adicional pode chegar a 0,13 €/MB (cerca de 133 € por GB)
Vodafone Zona com custo, coberta com promoções temporárias A última promoção sem custo adicional durava até 30 de junho de 2026. Verifique se ainda está ativa
Orange Saiu da Zona 1 com a consumação do Brexit Custo adicional, salvo bônus contratado à parte
Yoigo / MásMóvil Zona "Resto do Mundo" desde março de 2025 O caso mais caro: chamadas a partir de 2 €/min mais estabelecimento
DIGI Zona 1, igual à UE Sem custo adicional sobre sua tarifa nacional, dentro do uso justo

A faixa vai de "não paga nada" a "arruína-se vendo vídeos no trem". Atenção também aos limites de uso justo: mesmo que sua operadora inclua o Reino Unido, quase sempre há um limite de gigas — muitas vezes inferior ao seu bônus nacional — e a partir daí começa a contagem por megabyte. Comparei os números gerais em quanto custa o roaming internacional.

Regra que aplico sempre antes de voar: se minha operadora não me confirmar por escrito —no aplicativo ou no chat— que o Reino Unido está incluído sem custo adicional e com quantos gigas, presumo que não está. E ajo de acordo.

O Wi-Fi gratuito: hotéis, pubs e transporte

O Reino Unido é um dos países do mundo onde é mais fácil conectar-se a uma rede gratuita. Os pubs com Wi-Fi aberto estão por toda parte, quase todas as cafeterias o oferecem, os museus nacionais de Londres também, e há Wi-Fi nas estações de metrô. Hotéis e Airbnbs o incluem praticamente sempre. Então a tentação de viajar "sem nada" é real.

O problema é que essa estratégia falha justamente quando você mais precisa dela. Pense nos momentos críticos: você desce do avião em Heathrow e precisa confirmar o transporte; você chega de trem em Edimburgo com a mala e quer abrir o mapa; o motorista do Uber te liga e você não tem sinal; o check-in do hotel te envia um código por SMS. Nenhum desses momentos acontece sentado em um pub com senha.

Acrescente dois problemas. A segurança: redes abertas de aeroportos e cafeterias não são o lugar para acessar seu banco; se você usar Wi-Fi público, use uma VPN. E a fricção: muitos portais cativos britânicos pedem registro com e-mail e às vezes um SMS de verificação — e se você não tiver dados, não recebe o SMS. O Wi-Fi é um bom complemento para baixar séries no hotel, mas um mau plano principal.

O SIM local britânico: EE, VodafoneThree e O2

A opção clássica: você aterrissa, procura uma loja e compra um chip pré-pago britânico. O mercado se concentrou bastante: hoje os grandes são EE (do grupo BT, tradicionalmente a melhor cobertura do país), VodafoneThree (nascida da fusão da Vodafone UK e Three em 2025) e O2 (Virgin Media). Abaixo operam operadoras virtuais como Giffgaff, Lebara ou Lycamobile, que costumam ser mais baratas.

As vantagens são óbvias: preços locais muito competitivos —há planos pré-pagos com dezenas de gigabytes pelo equivalente a 10-20 libras—, número britânico para chamadas locais e cobertura nativa sem depender de acordos de roaming. Se você vai passar semanas no país ou precisa de um número local para questões administrativas, esta é uma opção sólida.

Agora os contras, que existem. Você perde seu número espanhol enquanto o chip estiver inserido, a menos que tenha um celular com dois slots. Você terá que gastar tempo da viagem procurando uma loja e ativando a linha — e muitas vezes o processo de ativação online exige um endereço britânico. Os planos "ilimitados" que você vê nos anúncios geralmente são contratos com fidelidade, não pré-pagos. E a burocracia pode levar meia manhã na Oxford Street. Comparei isso em detalhes em eSIM vs SIM local.

O eSIM: a opção que eu uso

Um eSIM é um cartão SIM digital que já vem integrado no seu celular: não há plástico, não há bandeja, não há clipe. Você compra um plano de dados pela internet, recebe um QR ou um link de instalação, ativa e pronto. Se você nunca usou um, eu te explico do zero em o que é um eSIM.

Para uma viagem ao Reino Unido, esta é a solução que recomendo quase sempre, e por razões muito específicas:

  • Instala-se de casa. Você configura com seu Wi-Fi na Espanha e, assim que aterrissa, ativa os dados. Tempo zero perdido.
  • Mantém seu número espanhol. O eSIM leva os dados; seu SIM físico continua recebendo chamadas e SMS do banco.
  • Preço fechado. Você paga antecipadamente pelos gigas que escolheu. Não existe a conta surpresa.
  • Apoia-se nas redes locais. Você se conecta à rede britânica da mesma forma, com a mesma cobertura de um SIM de lá.
  • Muda de país sozinho. Se você fizer Londres + Dublin ou Londres + Paris, há planos regionais que cobrem vários destinos.

A desvantagem é honesta: você precisa de um celular compatível — todos os iPhones a partir do XR e a maioria das linhas Android de gama média e alta dos últimos anos são — e você não obtém um número britânico para chamadas tradicionais, embora com WhatsApp e chamadas por dados isso raramente importe. Se você quiser os planos específicos para o país, eles estão no guia do eSIM para o Reino Unido.

Comparativo das quatro opções

Colocado tudo na mesa, assim fica a imagem. Eu pontuei pensando em um turista espanhol que passa entre 4 e 10 dias no país, que se move pela cidade e faz algumas escapadas, e que quer o celular funcionando sem pensar muito.

Opção Custo típico (1 semana) Risco de surpresa Esforço Ideal para…
Roaming da sua operadora De 0 € a mais de 100 € dependendo da empresa e do consumo Alto (depende de zonas e uso justo) Nenhum, se incluir Quem já tem o Reino Unido confirmado na Zona 1
Apenas Wi-Fi gratuito 0 € Médio (você fica sem mapa) Alto: buscar rede constantemente Viagens muito curtas e sem deslocamentos
SIM local britânico 10-20 libras Baixo Alto: loja, ativação, trocar SIM Estadias longas ou quem precisa de número local
eSIM de viagem Preço fechado conforme gigas Nulo: você paga antecipadamente Mínimo: instala-se de casa A maioria dos turistas

O que realmente decide não é o preço absoluto — as diferenças são de alguns poucos euros —, mas sim o risco e o tempo. O roaming pode ser gratuito ou custar um jantar para quatro, e você não sabe até a fatura chegar. O SIM local é barato, mas custa horas de viagem. O eSIM combina preço conhecido antecipadamente e zero gerenciamento no local. A comparação lado a lado está em eSIM vs roaming.

Cobertura em Londres: rua, metrô e Elizabeth line

Na superfície, Londres é uma das cidades mais bem conectadas da Europa: 4G em todos os lugares e 5G amplamente implantado no centro e na maioria dos bairros. Com qualquer uma das quatro redes britânicas, você terá cobertura de sobra ao passear por Westminster, Camden ou Shoreditch.

O caso interessante é o metrô, e aqui há boas notícias que muitas pessoas ainda não conhecem. A Transport for London e a Boldyn Networks estão implementando cobertura 4G e 5G em toda a rede do Tube, com um investimento de cerca de 1 bilhão de libras e uma concessão de 20 anos. Em meados de 2026, cerca de 60% das estações já terão sinal, incluindo trechos de túneis de linhas como a Jubilee, Central, Northern ou Metropolitan, e o plano é completar toda a rede até o final de 2026. EE, O2 e VodafoneThree têm acordos de atacado com essa infraestrutura, então não importa a qual rede você se conecte.

Traduzido para sua viagem: você ainda ficará sem sinal em alguns túneis, mas cada vez menos, e nas plataformas e saguões quase sempre terá dados. A Elizabeth line e o DLR também estão entrando na implantação. Meu conselho prático continua sendo o de sempre: baixe o mapa de Londres offline no Google Maps e salve a rota antes de descer para a plataforma. É um minuto que te poupa um aborrecimento.

Edimburgo, Escócia rural e as Terras Altas

Edimburgo, Glasgow e as cidades escocesas funcionam tão bem quanto Londres: 4G e 5G sem problemas, então se sua viagem se limitar ao centro histórico, Arthur's Seat e alguma excursão curta, você não precisa se preocupar.

A história muda assim que você sai da estrada principal. A Escócia tem a menor cobertura geográfica de 4G de todo o Reino Unido, de acordo com os relatórios da Ofcom, e a razão é puramente física: montanhas, vales profundos, população dispersa e ilhas. Se você for dirigir pela North Coast 500, fazer a rota de Skye, ir para Glencoe ou para as ilhas ocidentais, encontrará longos trechos sem sinal com qualquer operadora. Há avanços — o programa Shared Rural Network ativou dezenas de novas antenas em áreas como Arran, Islay, Jura ou a península de Ardnamurchan —, mas os buracos de cobertura ainda fazem parte da paisagem.

O que eu faço quando dirijo pelas Terras Altas:

  • Baixo os mapas offline de toda a Escócia, não apenas da área do dia.
  • Guardo as reservas, os bilhetes e os endereços no celular, em PDF ou captura de tela.
  • Aviso alguém sobre a rota planejada se for para áreas remotas.
  • Lembro que as chamadas de emergência (999 ou 112) funcionam com qualquer rede disponível, mesmo que sua operadora não tenha sinal lá.

Quantos dados você realmente precisa

Esta é a pergunta que mais me chega, e quase todo mundo exagera comprando gigabytes que não vai usar. Um turista médio consome muito menos do que pensa, porque dorme em um hotel com Wi-Fi e passa boa parte do dia caminhando ou dentro de museus.

Perfil de viajante Uso habitual Dados para 7 dias
Básico Mapas, WhatsApp, e-mail, alguma pesquisa 1-3 GB
Padrão O anterior + redes sociais, fotos, Spotify ocasionalmente 5-7 GB
Intensivo Stories diárias, vídeos, mapas o dia todo, tethering para o notebook 10-20 GB
Trabalho remoto Videoconferências, nuvem, compartilhamento de conexão 20 GB ou ilimitado

Para calibrar: navegar com o Google Maps gasta apenas cerca de 5 MB a cada 15 minutos; WhatsApp com texto e fotos, algumas centenas de megabytes por semana; mas assistir a vídeos em alta definição consome cerca de 1 GB por hora. Ou seja, o vídeo é o único que dispara o contador. Se você se disciplinar para assistir séries apenas com o Wi-Fi do hotel, com 5 GB você tem de sobra para uma semana inteira.

Minha recomendação honesta: calcule seu perfil, adicione uma pequena margem e não compre o plano gigante "por via das dúvidas". Se você ficar sem, sempre pode recarregar em dois minutos do celular.

Como deixar tudo pronto antes de voar

Tudo o que foi dito se resume a uma rotina de vinte minutos que faço na noite anterior a qualquer viagem ao Reino Unido. Deixo-a como uma lista de verificação:

  • Verifique sua tarifa. Acesse o aplicativo da sua operadora e procure literalmente "Reino Unido" nas condições de roaming. Se não aparecer na zona europeia, assuma que haverá cobrança extra.
  • Desative os dados em roaming da sua linha espanhola. É o interruptor que evita 90% das contas dramáticas.
  • Instale o eSIM de casa, com Wi-Fi. Escaneie o QR, rotule-o como "Reino Unido" e deixe-o desativado até aterrissar.
  • Configure a linha de dados. Nas configurações, deixe seu SIM espanhol para chamadas e SMS, e o eSIM como linha de dados. Assim você continua recebendo o SMS do banco.
  • Baixe mapas offline de Londres, Edimburgo e de qualquer área rural que você for percorrer.
  • Guarde os documentos importantes localmente: passagens, reservas, seguro de viagem.

Com isso feito, o pouso é entediante no melhor sentido: você liga o celular, ativa os dados do eSIM, ele se conecta à rede britânica em menos de um minuto e você já está pedindo o transporte para o hotel enquanto os outros ainda procuram o Wi-Fi do aeroporto. Entediante é exatamente o que você quer nas suas primeiras duas horas em um país novo.

Perguntas frequentes

Há roaming gratuito no Reino Unido após o Brexit?

Não de forma garantida. Desde 2021, o Reino Unido está fora do regulamento europeu de roaming, então cada operadora espanhola decide. Movistar e DIGI geralmente o incluem em sua zona europeia; Vodafone o cobre com promoções temporárias; Orange o removeu da Zona 1 e Yoigo o tarifa como o resto do mundo.

Quanto pode me custar exceder os gigabytes no Reino Unido?

Muito mais do que você imagina. Algumas operadoras aplicam até 0,13 € por MB fora do limite de uso justo, o que equivale a cerca de 133 € por gigabyte. Assistir a alguns vídeos no trem pode resultar em uma fatura de três dígitos.

O celular funciona no metrô de Londres?

Cada vez mais, mas ainda não em toda a rede. Em meados de 2026, cerca de 60% das estações terão cobertura 4G e 5G, e a implantação de TfL e Boldyn deve ser concluída até o final de 2026.

Há cobertura nas Terras Altas escocesas?

Irregular. A Escócia tem a menor cobertura geográfica 4G do Reino Unido: montanhas, vales e ilhas deixam trechos sem sinal em rotas como a North Coast 500 ou Skye. Leve sempre mapas offline.

Meu celular é compatível com eSIM?

Provavelmente sim. Todos os iPhones desde o XR, os Google Pixel desde o 3 e a maioria dos Samsung Galaxy S e gamas médias-altas Android recentes são. Verifique discando *#06#: se aparecer um código EID além do IMEI, seu celular suporta eSIM.

Preciso de um número britânico para me locomover pelo país?

Quase nunca. Reservas de hotel, Uber, restaurantes e trens funcionam com dados e com seu número habitual. Um número local só faz sentido se você for realizar procedimentos administrativos ou ficar vários meses no país.

Conclusão

Resumo o que importa: após o Brexit, o Reino Unido deixou de ter roaming gratuito garantido, e o que você paga depende de uma loteria de zonas tarifárias que muda a cada temporada. O wi-fi de pubs e hotéis falha justamente quando você precisa. O SIM local é barato e leva metade da manhã. E o eSIM é a única opção com preço fixo, cobertura de rede britânica e zero burocracia no local.

Se você for para Londres, Edimburgo ou para as Highlands, resolva antes de sair de casa: instale seu eSIM para o Reino Unido, ative-o ao aterrissar e dedique seu tempo ao que você foi fazer. Nos vemos do outro lado do canal.

Marc González Sáez
Escrito por Marc González Sáez Fundador da PuraSim e especialista em eSIM e conectividade para viajantes. Há anos ajuda a viajar conectado por todo o mundo sem pagar a mais pelo roaming, e testa pessoalmente os eSIMs em cada destino antes de os recomendar.
Compartilhe este guia
eSIM Reino Unido
Seu eSIM para este destino
eSIM Reino Unido

Ative com um QR em 1 minuto e chegue conectado. Sem roaming, hotspot incluído e suporte humano 24/7.

a partir de €5,95 Ver e comprar → Outros destinos

Sua próxima viagem, conectada

Dados em 218 destinos. Sem roaming. Ativa em 1 minuto.

Escolha seu eSIM