Se você está preparando uma viagem a Londres, Edimburgo ou às Terras Altas, há uma pergunta que deve ser resolvida antes de fechar a mala: como você terá internet no Reino Unido sem ter um susto na conta. E eu digo isso por experiência própria e pela de muitos clientes: o que valia em 2019 já não vale. O Brexit mudou as regras e muitas pessoas continuam atravessando o canal com a ideia errada na cabeça. Neste guia, comparo todas as opções reais — com suas letras miúdas, seus preços e seus contras — para que você escolha a que realmente se encaixa na sua viagem.
O Brexit mudou as regras: o Reino Unido já não é "como em casa"
Não, no Reino Unido não há roaming gratuito garantido. Desde 1º de janeiro de 2021, o país ficou fora do regulamento europeu de roaming, então nenhuma operadora espanhola é obrigada a oferecer dados "como em casa". Algumas mantêm por decisão comercial, outras cobram à parte e outras tratam diretamente como o resto do mundo.
Este é o ponto que mais gera confusão e o que mais causa contas caras. O regulamento europeu de Roam Like At Home — aquele que permite usar seus gigas em Lisboa ou Roma sem pagar um euro extra — se aplica à UE e ao Espaço Econômico Europeu. O Reino Unido deixou de fazer parte desse clube, e embora Bruxelas tenha prorrogado o roaming gratuito intracomunitário até 2032, essa prorrogação não alcança Londres nem Edimburgo.
O que resta é um terreno sem regras comuns: cada empresa espanhola decide livremente se inclui o Reino Unido na zona europeia, se o inclui em uma zona com sobretaxa ou se o tarifa como se você estivesse no Japão. E essas decisões mudam com o tempo: há operadoras que o mantiveram gratuito por anos e depois o retiraram, e outras que o cobrem apenas com promoções temporárias que expiram.
A consequência prática é dupla. Você não pode confiar no que um amigo te contou há dois verões, e precisa verificar seu contrato específico, porque dentro de uma mesma operadora há tarifas que incluem o Reino Unido e outras que não. O detalhe completo eu desviei neste guia sobre se há roaming no Reino Unido.
O que cada operadora espanhola faz em 2026
Aqui é preciso arregaçar as mangas. Resumi a situação das principais empresas espanholas, mas com uma enorme advertência: estas condições mudam a cada poucos meses e dependem da sua tarifa específica. A tabela serve para você saber o que perguntar, não para substituir a consulta à sua operadora.
| Operadora espanhola | Como trata o Reino Unido | O que significa para você |
|---|---|---|
| Movistar | Zona 1 na maioria das tarifas, com limite de uso justo | Você usa seus gigas, mas ao exceder o custo adicional pode chegar a 0,13 €/MB (cerca de 133 € por GB) |
| Vodafone | Zona com custo, coberta com promoções temporárias | A última promoção sem custo adicional durava até 30 de junho de 2026. Verifique se ainda está ativa |
| Orange | Saiu da Zona 1 com a consumação do Brexit | Custo adicional, salvo bônus contratado à parte |
| Yoigo / MásMóvil | Zona "Resto do Mundo" desde março de 2025 | O caso mais caro: chamadas a partir de 2 €/min mais estabelecimento |
| DIGI | Zona 1, igual à UE | Sem custo adicional sobre sua tarifa nacional, dentro do uso justo |
A faixa vai de "não paga nada" a "arruína-se vendo vídeos no trem". Atenção também aos limites de uso justo: mesmo que sua operadora inclua o Reino Unido, quase sempre há um limite de gigas — muitas vezes inferior ao seu bônus nacional — e a partir daí começa a contagem por megabyte. Comparei os números gerais em quanto custa o roaming internacional.
Regra que aplico sempre antes de voar: se minha operadora não me confirmar por escrito —no aplicativo ou no chat— que o Reino Unido está incluído sem custo adicional e com quantos gigas, presumo que não está. E ajo de acordo.
O Wi-Fi gratuito: hotéis, pubs e transporte
O Reino Unido é um dos países do mundo onde é mais fácil conectar-se a uma rede gratuita. Os pubs com Wi-Fi aberto estão por toda parte, quase todas as cafeterias o oferecem, os museus nacionais de Londres também, e há Wi-Fi nas estações de metrô. Hotéis e Airbnbs o incluem praticamente sempre. Então a tentação de viajar "sem nada" é real.
O problema é que essa estratégia falha justamente quando você mais precisa dela. Pense nos momentos críticos: você desce do avião em Heathrow e precisa confirmar o transporte; você chega de trem em Edimburgo com a mala e quer abrir o mapa; o motorista do Uber te liga e você não tem sinal; o check-in do hotel te envia um código por SMS. Nenhum desses momentos acontece sentado em um pub com senha.
Acrescente dois problemas. A segurança: redes abertas de aeroportos e cafeterias não são o lugar para acessar seu banco; se você usar Wi-Fi público, use uma VPN. E a fricção: muitos portais cativos britânicos pedem registro com e-mail e às vezes um SMS de verificação — e se você não tiver dados, não recebe o SMS. O Wi-Fi é um bom complemento para baixar séries no hotel, mas um mau plano principal.
O SIM local britânico: EE, VodafoneThree e O2
A opção clássica: você aterrissa, procura uma loja e compra um chip pré-pago britânico. O mercado se concentrou bastante: hoje os grandes são EE (do grupo BT, tradicionalmente a melhor cobertura do país), VodafoneThree (nascida da fusão da Vodafone UK e Three em 2025) e O2 (Virgin Media). Abaixo operam operadoras virtuais como Giffgaff, Lebara ou Lycamobile, que costumam ser mais baratas.
As vantagens são óbvias: preços locais muito competitivos —há planos pré-pagos com dezenas de gigabytes pelo equivalente a 10-20 libras—, número britânico para chamadas locais e cobertura nativa sem depender de acordos de roaming. Se você vai passar semanas no país ou precisa de um número local para questões administrativas, esta é uma opção sólida.
Agora os contras, que existem. Você perde seu número espanhol enquanto o chip estiver inserido, a menos que tenha um celular com dois slots. Você terá que gastar tempo da viagem procurando uma loja e ativando a linha — e muitas vezes o processo de ativação online exige um endereço britânico. Os planos "ilimitados" que você vê nos anúncios geralmente são contratos com fidelidade, não pré-pagos. E a burocracia pode levar meia manhã na Oxford Street. Comparei isso em detalhes em eSIM vs SIM local.
O eSIM: a opção que eu uso
Um eSIM é um cartão SIM digital que já vem integrado no seu celular: não há plástico, não há bandeja, não há clipe. Você compra um plano de dados pela internet, recebe um QR ou um link de instalação, ativa e pronto. Se você nunca usou um, eu te explico do zero em o que é um eSIM.
Para uma viagem ao Reino Unido, esta é a solução que recomendo quase sempre, e por razões muito específicas:
- Instala-se de casa. Você configura com seu Wi-Fi na Espanha e, assim que aterrissa, ativa os dados. Tempo zero perdido.
- Mantém seu número espanhol. O eSIM leva os dados; seu SIM físico continua recebendo chamadas e SMS do banco.
- Preço fechado. Você paga antecipadamente pelos gigas que escolheu. Não existe a conta surpresa.
- Apoia-se nas redes locais. Você se conecta à rede britânica da mesma forma, com a mesma cobertura de um SIM de lá.
- Muda de país sozinho. Se você fizer Londres + Dublin ou Londres + Paris, há planos regionais que cobrem vários destinos.
A desvantagem é honesta: você precisa de um celular compatível — todos os iPhones a partir do XR e a maioria das linhas Android de gama média e alta dos últimos anos são — e você não obtém um número britânico para chamadas tradicionais, embora com WhatsApp e chamadas por dados isso raramente importe. Se você quiser os planos específicos para o país, eles estão no guia do eSIM para o Reino Unido.
Comparativo das quatro opções
Colocado tudo na mesa, assim fica a imagem. Eu pontuei pensando em um turista espanhol que passa entre 4 e 10 dias no país, que se move pela cidade e faz algumas escapadas, e que quer o celular funcionando sem pensar muito.
| Opção | Custo típico (1 semana) | Risco de surpresa | Esforço | Ideal para… |
|---|---|---|---|---|
| Roaming da sua operadora | De 0 € a mais de 100 € dependendo da empresa e do consumo | Alto (depende de zonas e uso justo) | Nenhum, se incluir | Quem já tem o Reino Unido confirmado na Zona 1 |
| Apenas Wi-Fi gratuito | 0 € | Médio (você fica sem mapa) | Alto: buscar rede constantemente | Viagens muito curtas e sem deslocamentos |
| SIM local britânico | 10-20 libras | Baixo | Alto: loja, ativação, trocar SIM | Estadias longas ou quem precisa de número local |
| eSIM de viagem | Preço fechado conforme gigas | Nulo: você paga antecipadamente | Mínimo: instala-se de casa | A maioria dos turistas |
O que realmente decide não é o preço absoluto — as diferenças são de alguns poucos euros —, mas sim o risco e o tempo. O roaming pode ser gratuito ou custar um jantar para quatro, e você não sabe até a fatura chegar. O SIM local é barato, mas custa horas de viagem. O eSIM combina preço conhecido antecipadamente e zero gerenciamento no local. A comparação lado a lado está em eSIM vs roaming.
Cobertura em Londres: rua, metrô e Elizabeth line
Na superfície, Londres é uma das cidades mais bem conectadas da Europa: 4G em todos os lugares e 5G amplamente implantado no centro e na maioria dos bairros. Com qualquer uma das quatro redes britânicas, você terá cobertura de sobra ao passear por Westminster, Camden ou Shoreditch.
O caso interessante é o metrô, e aqui há boas notícias que muitas pessoas ainda não conhecem. A Transport for London e a Boldyn Networks estão implementando cobertura 4G e 5G em toda a rede do Tube, com um investimento de cerca de 1 bilhão de libras e uma concessão de 20 anos. Em meados de 2026, cerca de 60% das estações já terão sinal, incluindo trechos de túneis de linhas como a Jubilee, Central, Northern ou Metropolitan, e o plano é completar toda a rede até o final de 2026. EE, O2 e VodafoneThree têm acordos de atacado com essa infraestrutura, então não importa a qual rede você se conecte.
Traduzido para sua viagem: você ainda ficará sem sinal em alguns túneis, mas cada vez menos, e nas plataformas e saguões quase sempre terá dados. A Elizabeth line e o DLR também estão entrando na implantação. Meu conselho prático continua sendo o de sempre: baixe o mapa de Londres offline no Google Maps e salve a rota antes de descer para a plataforma. É um minuto que te poupa um aborrecimento.
Edimburgo, Escócia rural e as Terras Altas
Edimburgo, Glasgow e as cidades escocesas funcionam tão bem quanto Londres: 4G e 5G sem problemas, então se sua viagem se limitar ao centro histórico, Arthur's Seat e alguma excursão curta, você não precisa se preocupar.
A história muda assim que você sai da estrada principal. A Escócia tem a menor cobertura geográfica de 4G de todo o Reino Unido, de acordo com os relatórios da Ofcom, e a razão é puramente física: montanhas, vales profundos, população dispersa e ilhas. Se você for dirigir pela North Coast 500, fazer a rota de Skye, ir para Glencoe ou para as ilhas ocidentais, encontrará longos trechos sem sinal com qualquer operadora. Há avanços — o programa Shared Rural Network ativou dezenas de novas antenas em áreas como Arran, Islay, Jura ou a península de Ardnamurchan —, mas os buracos de cobertura ainda fazem parte da paisagem.
O que eu faço quando dirijo pelas Terras Altas:
- Baixo os mapas offline de toda a Escócia, não apenas da área do dia.
- Guardo as reservas, os bilhetes e os endereços no celular, em PDF ou captura de tela.
- Aviso alguém sobre a rota planejada se for para áreas remotas.
- Lembro que as chamadas de emergência (999 ou 112) funcionam com qualquer rede disponível, mesmo que sua operadora não tenha sinal lá.
Quantos dados você realmente precisa
Esta é a pergunta que mais me chega, e quase todo mundo exagera comprando gigabytes que não vai usar. Um turista médio consome muito menos do que pensa, porque dorme em um hotel com Wi-Fi e passa boa parte do dia caminhando ou dentro de museus.
| Perfil de viajante | Uso habitual | Dados para 7 dias |
|---|---|---|
| Básico | Mapas, WhatsApp, e-mail, alguma pesquisa | 1-3 GB |
| Padrão | O anterior + redes sociais, fotos, Spotify ocasionalmente | 5-7 GB |
| Intensivo | Stories diárias, vídeos, mapas o dia todo, tethering para o notebook | 10-20 GB |
| Trabalho remoto | Videoconferências, nuvem, compartilhamento de conexão | 20 GB ou ilimitado |
Para calibrar: navegar com o Google Maps gasta apenas cerca de 5 MB a cada 15 minutos; WhatsApp com texto e fotos, algumas centenas de megabytes por semana; mas assistir a vídeos em alta definição consome cerca de 1 GB por hora. Ou seja, o vídeo é o único que dispara o contador. Se você se disciplinar para assistir séries apenas com o Wi-Fi do hotel, com 5 GB você tem de sobra para uma semana inteira.
Minha recomendação honesta: calcule seu perfil, adicione uma pequena margem e não compre o plano gigante "por via das dúvidas". Se você ficar sem, sempre pode recarregar em dois minutos do celular.
Como deixar tudo pronto antes de voar
Tudo o que foi dito se resume a uma rotina de vinte minutos que faço na noite anterior a qualquer viagem ao Reino Unido. Deixo-a como uma lista de verificação:
- Verifique sua tarifa. Acesse o aplicativo da sua operadora e procure literalmente "Reino Unido" nas condições de roaming. Se não aparecer na zona europeia, assuma que haverá cobrança extra.
- Desative os dados em roaming da sua linha espanhola. É o interruptor que evita 90% das contas dramáticas.
- Instale o eSIM de casa, com Wi-Fi. Escaneie o QR, rotule-o como "Reino Unido" e deixe-o desativado até aterrissar.
- Configure a linha de dados. Nas configurações, deixe seu SIM espanhol para chamadas e SMS, e o eSIM como linha de dados. Assim você continua recebendo o SMS do banco.
- Baixe mapas offline de Londres, Edimburgo e de qualquer área rural que você for percorrer.
- Guarde os documentos importantes localmente: passagens, reservas, seguro de viagem.
Com isso feito, o pouso é entediante no melhor sentido: você liga o celular, ativa os dados do eSIM, ele se conecta à rede britânica em menos de um minuto e você já está pedindo o transporte para o hotel enquanto os outros ainda procuram o Wi-Fi do aeroporto. Entediante é exatamente o que você quer nas suas primeiras duas horas em um país novo.
Perguntas frequentes
Há roaming gratuito no Reino Unido após o Brexit?
Não de forma garantida. Desde 2021, o Reino Unido está fora do regulamento europeu de roaming, então cada operadora espanhola decide. Movistar e DIGI geralmente o incluem em sua zona europeia; Vodafone o cobre com promoções temporárias; Orange o removeu da Zona 1 e Yoigo o tarifa como o resto do mundo.
Quanto pode me custar exceder os gigabytes no Reino Unido?
Muito mais do que você imagina. Algumas operadoras aplicam até 0,13 € por MB fora do limite de uso justo, o que equivale a cerca de 133 € por gigabyte. Assistir a alguns vídeos no trem pode resultar em uma fatura de três dígitos.
O celular funciona no metrô de Londres?
Cada vez mais, mas ainda não em toda a rede. Em meados de 2026, cerca de 60% das estações terão cobertura 4G e 5G, e a implantação de TfL e Boldyn deve ser concluída até o final de 2026.
Há cobertura nas Terras Altas escocesas?
Irregular. A Escócia tem a menor cobertura geográfica 4G do Reino Unido: montanhas, vales e ilhas deixam trechos sem sinal em rotas como a North Coast 500 ou Skye. Leve sempre mapas offline.
Meu celular é compatível com eSIM?
Provavelmente sim. Todos os iPhones desde o XR, os Google Pixel desde o 3 e a maioria dos Samsung Galaxy S e gamas médias-altas Android recentes são. Verifique discando *#06#: se aparecer um código EID além do IMEI, seu celular suporta eSIM.
Preciso de um número britânico para me locomover pelo país?
Quase nunca. Reservas de hotel, Uber, restaurantes e trens funcionam com dados e com seu número habitual. Um número local só faz sentido se você for realizar procedimentos administrativos ou ficar vários meses no país.
Conclusão
Resumo o que importa: após o Brexit, o Reino Unido deixou de ter roaming gratuito garantido, e o que você paga depende de uma loteria de zonas tarifárias que muda a cada temporada. O wi-fi de pubs e hotéis falha justamente quando você precisa. O SIM local é barato e leva metade da manhã. E o eSIM é a única opção com preço fixo, cobertura de rede britânica e zero burocracia no local.
Se você for para Londres, Edimburgo ou para as Highlands, resolva antes de sair de casa: instale seu eSIM para o Reino Unido, ative-o ao aterrissar e dedique seu tempo ao que você foi fazer. Nos vemos do outro lado do canal.








